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Pontos Básicos de União entre o Theravāda e o Mahāyāna

Tradução e adaptação livre de: Basic Points Unifying the Theravāda and the Mahāyāna, artigo da página da Internet Wikipedia.org

"Pontos Básicos de União entre o Theravāda e o Mahāyāna" é um importante texto ecumênico buddhista criado em 1967 durante o Primeiro Congresso do Conselho Mundial da Sangha Buddhista (WBSC), em que seu fundador, Ven. Pandita Pimbure Sorata Thera, solicitou ao Ven. Walpola Rahula que apresentasse uma formulação concisa de pontos de união entre as diferentes tradições budistas. Este texto foi então aprovado, de forma unânime, pelo Conselho, [tendo sido desde então publicado e preservado por todos os seus membros.]

Ven. Walpola Sri Rahul, em 1981, ofereceu uma alternativa em 10 pontos para a primeira formulação em 9 pontos de união entre o Theravada e o Mahayana (apresentada mais abaixo).

  • Não importando as nossas seitas/tradições, denominações ou sistemas, como budistas todos aceitamos o Buddha como nosso Mestre, que nos deu o Dhamma, o Ensinamento.
  • Todos tomamos refúgio nas Três Jóias, ou Tripla Jóia: O Buddha, nosso Professor; o Dhamma, seu ensinamento; e a Sangha, a Comunidade de abençoados. Em outras palavras, tomamos refúgio no Mestre, Seu Ensinamento e no que é Ensinado.
  • Seja Theravada ou Mahayana, não acreditamos que este mundo seja criado e governado por um deus, conforme sua vontade.
  • Seguindo o exemplo do Buddha, nosso Mestre, que corporoficou a Grande Compaixão (mahakarunna) e a Grande Sabedoria (mahapanna), consideramos que o propósito da vida seja desenvolver compaixão por todos os seres vivos sem discriminação e trabalhar por sem bem, felicidade e paz; e desenvolver a sabedoria que nos leva à realização da Verdade Última.
  • Aceitamos as Quatro Nobres Verdades ensinadas pelo Buddha: Dukkha, ou seja, o fato de que nossa existência neste mundo é desprazerosa, impermanente, imperfeita, insatisfatória, cheia de conflito; Samudaya, ou seja, o fato de que este estado das coisas se dá por nosso individualismo egóico, baseado na falsa idéia de um eu; Nirodha ou Nibbana, ou seja, o fato de que há definitivamente a possibilidade de libertação, desprendimento, liberdade deste desprazer ou sofrimento, através da total erradicação do individualismo egóico; e Magga, ou seja, o fato que tal libertação possa ser alcançada através do Caminho do Meio, composto em 8 aspectos, que levam à perfeição da conduta ética ou moral (sila), disciplina mental (samadhi) e sabedoria (panna).
  • Aceitamos a lei universal de causalidade, ensinada conforme o Paticcasamuppada, ou Originação Co-dependente, e conforme esta aceitamos que tudo seja relativo, interdependente e inter-relacionada, nada sendo absoluto, permanente e eterno neste universo condicionado.
  • Compreendemos, de acordo com o ensinamento do Buddha, que todas as coisas condicionadas e incondicionadas (dhamma) são descontituídos de uma substância individual (anatta).
  • Aceitamos as Trinta e Sete Qualidades que conduzem à Iluminação (bodhipakkhiyadhamma) como diferentes aspectos do Caminho ensinado pelo Buddha, conduzentes à Iluminação:
  • Há três caminhis para a realização de Bodhi ou Iluminação de acordo com a habilidade e capacidade de cada indivíduo: como um discípulo (savaka), um paccekabuddha (Buddha Solitário) e como um Sammasambuddha (Perfeito e Completo Buddha Iluminado). Aceitamos como o mais elevado, mais nobre e mais heróico seguir o empreendimento de um Boddhisatta e tornar-se um Sammasambuddha, de forma a salvar os demais seres [do desconhecimento do Dhamma]. Mas estes três estados de realização estão no mesmo Caminho, não em diferentes. De fato, no Sandhinirmocana-sutra, um sutta conhecido e importante do Mahayana, claramente e enfáticamente diz que aqueles que seguem o Savaka-yana (ou Veículo dos discípulos) ou o Paccekabuddha-yana (ou Veículo dos Buddhas Solitários) ou buscam o estado de Tathagatas (conforme o Mahayana) alcançam o Nibbana supremo pelo mesmo Caminho, e para todos estes há apenas um Caminho de Purificação (visuddhimagga) e uma única Purificação (visuddhi) sem uma segunda, sendo então estes três caminhos de uma mesma purificação. Sendo assim, o Savakayana e o Mahayana constituem um ùnico Veículo, ou Único Yana (ekayana) não distintos ou diferentes veículos.
  • Admitimos que em países diferentes há diferenças relacionadas aos diferentes modos de viver do monges budistas, crenças e práticas budistas populars, ritos e rituais, cerimônias e hábitos. E estas formas e expressões externas não devem ser confundidas com os ensinamentos essenciais do Buddha

O Texto Original do Documento de 1967

  1. O Buddha é o nosso único Mestre, (como um professor e guia).
  2. Tomamos refúgio no Buddha, Dhamma e Sangha (as Três Jóias).
  3. Não acreditamos que este mundo seja criado ou governado por um Deus.
  4. Consideramos o propósito da vida desenvolver a compaixão por todos os seres vivos sem discriminação e trabalhar por seu bem, felicidade, e paz; e desenvolver a sabedoria que leva à realização da Verdade Última.
  5. Aceitamos as Quatro Nobres Verdades, a saber, dukkha (sofrimento), a origem de dukkha, a cessação de dukha, e o caminho que leva à cessação de dukha, e a lei de causa e efeito (Paticcasamupada).
  6. Todas as coisas condicionadas (sankhara) são impermanentes (anicca) e insatisfatórias (dukha), e todas os fenômenos condicionados e incondicionados (dhammas) são desprovidos de uma identidade, substância individual (anatta).
  7. Aceitamos as trinta e sete qualidades que conduzem à iluminação (bodhapakkhiyā dhammā) como diferentes aspectos do Caminho ensinado por Buddha, que leva à Iluminação.
  8. Há três caminhos que levam à realização de bodhi ou Iluminação: como discípulos (savaka), como aqueles que se iluminam em silêncio (paccekabuddha), sem ensinar o Dhamma, e como sammasambuddha, um ser perfeitamente e completamente Iluminado, que traz o Dhamma de volta ao mundo. E aceitamos como o mais heróico, nobre e elevado aquele que caminho em que se busca seguir a carreira de um Bodhisatta, para tornar-se um Sammasambuddha e salvar os seres da ignorância do desconhecimento do Dhamma.
  9. Admitimos que em diferentes países há diferenças no que diz respeito à crenças e práticas budistas. Estas formas e expressões externas não devem ser confundidas com os ensinamentos essênciais do Buda.

Referências

  • Walpola Rahula; The Heritage of the Bhikkhu; (New York, Grove Press, 1974); pp. 100, 1137-138
  • The Young Buddhist, Singapore : Buddha Yana Organization, 1982, p.161 -163
  • AcessoAoInsight.net: Glossários de termos budistas em português e pali

 

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Última atualização:Mar/10